Artesanato se destaca nas feiras culturais de Campo Grande
- lauras05
- 13 de fev.
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Mais do que uma atividade caseira, o artesanato brasileiro alcançou o faturamento de R$ 102 bilhões em 2024
Gyovana Marinho, Letícia Furtado e Sanny Duarte
Desde a pandemia da COVID-19, o mercado do artesanato cresceu no Brasil, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o segmento representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB), com um faturamento aproximado de R$ 102 bilhões no ano de 2024 com cerca de 8,5 milhões de artesãos no país sendo 77% exercido por mulheres.
Dado o crescimento do setor, houve um aumento em eventos e feiras semanais voltadas à venda de produtos artesanais na capital do MS. Em outubro de 2024, Campo Grande foi sede do programa Exporta Mais Brasil da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que promove a venda de produtos artesanais brasileiros para outros países e chegou a arrecadar R$11,3 milhões para os artesãos brasileiros.
As vendas de artesanato se destacam principalmente entre as feiras culturais mensais e semanais que ocorrem na capital. A feira MISTURÔ promove shows, gastronomia e barracas com diversos produtos artesanais. Ocorre desde maio de 2023 e é um dos pilares para a renda dos artesãos na cidade. Jessica Commenale trabalha com produtos naturais e acessórios religiosos há cinco anos, mora em Campo Grande há um ano e diz ter se surpreendido positivamente com a qualidade das feiras da cidade, porém notou um problema com o público. “Sinto bastante a falta de reconhecimento, vejo muitas pessoas desconectadas, olhando para outros lugares e não reparam no artesanato, acho que as pessoas deveriam ir às feiras com o coração mais aberto”, alertou a artesã.


Janaína é artesã há três anos e há dois faz amigurumis (bonecos em crochê) de animais do Pantanal. "Eu já criei algumas receitas, mas me especializei nesse ramo do turismo, em que as pessoas buscam produtos da nossa cultura para poder presentear amigos de outros lugares". Ela focou nesse nicho pois é uma área promissora e que o estado está sendo cada vez mais valorizado. "O meu objetivo é que as crianças conheçam a nossa fauna, às vezes eles confundem os animais da nossa terra, chamam o tuiuiú de tucano, a arara de papagaio".

Fernanda Gutierrez é artesã e faz laços, tiaras e acessórios. "Comecei a trabalhar por influência da minha mãe, que vendia caixinhas de MDF e queria que eu, de alguma forma, a acompanhasse". Fernanda começou a presentear pessoas próximas com laços que ela produzia e sua mãe teve a ideia de que o trabalho da filha fosse levado para a feira. Os laços começaram a dar mais retorno do que o trabalho da mãe e o foco das vendas foi totalmente voltado para os produtos da filha. A artesã comentou que o maior desafio que enfrentou na profissão foi a produção de tiaras bordadas, pois tinha medo de não ficar bom. "Mas a primeira peça que eu fiz ficou tão bonita, logo quando eu postei nas redes sociais, todo mundo gostou".


Yone Pelizaro é artesã desde os seus nove anos de idade por influência da mãe e da avó. Ela trabalha com crochê e tricô, produzindo roupas infantis, chapéus, tapetes e macramê, além do mais, ela também trabalha com madeiras e pinturas em vidro. “Eu sempre gostei do artesanato em geral, tanto que hoje eu faço de tudo um pouco”, conta a artesã.
Yone é natural do interior de São Paulo e veio para Campo Grande por conta da pandemia, ela comenta que essa mudança de estado foi um grande desafio e que sentiu bastante diferença na cultura. “Eu aprendi muito coisa lá, mas aqui eu fui me infiltrando nas feiras e nos locais onde ensinam técnicas”.
Ela conta que gosta mais de trabalhar com a linha e com o crochê e ressalta os desafios ao trabalhar com esses materiais. “Sempre é um desafio a mais, porque no artesanato sempre existe alguma técnica a mais para a gente aprender (...). Ultimamente, eu fiz bastante amigurumi, que é feito de crochê também e é uma técnica que ficou muito famosa, quem faz crochê sabe que é só com agulha fina e ponto baixo, então esse é uma coisa muito trabalhosa”.


As feiras culturais de Campo Grande acontece todo mês, fique ligado no calendário:

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