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Quando a dor se transforma em força

  • lauras05
  • 19 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

Entre perdas e conquistas, uma jornada de superação de William que redefine limites e inspira coragem


Helena Fuzineli


Superar não é apenas seguir em frente; é transformar a adversidade em combustível para conquistas. E foi exatamente isso que aconteceu na madrugada em que o ônibus rumo a cidade de Campo Grande tombou. William Eugênio, um bombeiro militar e praticante de Crossfit, teve a sua vida completamente transformada. Ele manteve a serenidade em meio aos fragmentos de vidro e aos gritos de desespero, segurou-se como pôde na janela danificada, suportando até o peso de uma passageira sobre ele. "Se eu não tivesse força, talvez fosse meu rosto ao invés do braço" reflete, mostrando que sua preparação física e mental havia salvado mais do que sua vida: havia preservado seu espírito.

Estancou o próprio ferimento, socorreu outros passageiros e manteve a mente clara enquanto tudo ao redor desmoronava. Dias depois, ao receber a notícia de que perderia parte do braço, encarou o destino com a mesma calma resoluta. Ele sabia que precisaria se reinventar — o "como" viria com o tempo. Poucos meses depois de deixar o hospital, ele já estava participando de competições de CrossFit, adaptando cada movimento para vencer os obstáculos que antes pareciam insuperáveis. Alto e de postura firme, seus ombros largos refletem a força. No braço, os músculos bem definidos revelam um esforço constante de superação, enquanto o outro, amputado, conta uma batalha enfrentada com coragem. A pele de seus braços, ainda marcada por cicatrizes, parece guardar uma história incomum.  "Quando subi na corda pela primeira vez, muitos não acreditaram, mas eu não ligo para o que parece impossível", lembra, com um brilho nos olhos. Contudo, os verdadeiros obstáculos emergiram ao deixar a proteção das paredes do hospital e chegar em casa. Foi no cotidiano, nas pequenas coisas, que ele sentiu o peso da perda — atividades simples como amarrar o cabelo da filha, cortar carne ou até amarrar os cadarços se tornaram obstáculos inesperados.

Superação de limites com força e técnica em um exercício adaptado na competição


William sempre foi conhecido pela sua teimosia positiva, ele via as adversidades como desafios a serem superados desde seu tempo no exército e Corpo de Bombeiros. No esporte, descobriu não somente um meio de superar obstáculos, mas também um meio de inspirar. Desenvolveu adaptações singulares, convertendo limitações em oportunidades e demonstrando que a mente pode ultrapassar o corpo.

Ao longo do tempo, William evoluiu e conseguiu se classificar para um campeonato mundial de CrossFit na categoria adaptada, porém sua principal meta no esporte é competir e alcançar o pódio nas mesmas classes dos atletas sem restrições físicas. "Não se trata de ser único; trata-se de demonstrar que posso realizar mais, mesmo com menos". Cada ação, cada desafio, é uma prova de que a superação não conhece limites.

Atualmente, ele trilha o delicado caminho do equilíbrio. Depois de anos imerso em trabalho e conquistas, descobriu o valor dos instantes compartilhados com a filha, da presença junto à família e dos pequenos gestos cotidianos. Aprendeu que o futuro pode ser construído sem que o presente precise ser sacrificado, e que viver plenamente é, em si, uma forma de conquista.  

William encontrou força na resiliência e no otimismo, "Se é possível, eu faço. Se não parece possível, eu continuo tentando até ser". A sua trajetória vai além de ultrapassar obstáculos físicos; trata-se de converter sofrimento em objetivo, obstáculo em vitória. Em cada ação, em cada triunfo, ele demonstra que não são as nossas perdas que nos caracteriza, mas as escolhas que fazemos com o que nos resta.

 

 

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Com sua maior inspiração nas costas, William prova que a força do amor move qualquer desafio

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