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Quem sustenta o brilho das vitrines?

  • lauras05
  • 26 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Mileny Rodrigues e Rafaela Ribeiro



No coração do shopping, o ar é cheio de vozes, com risadas que ecoam entre conversas descontraídas e com barulhos de passos apressados pela praça de alimentação. Pelos corredores, o brilho das vitrines contrasta com a opacidade dos olhares que passam por elas, olhares que são atraídos pelos objetos chamativos, quase perfeitos, prontos para serem comprados. Debaixo das luzes artificiais há um mundo pulsante, porém invisível aos olhos que consomem: o mundo dos trabalhadores.

 

Os corredores impecáveis parecem que nunca conheceram uma poeira e são percorridos por funcionários que empurram o carrinho de limpeza em silêncio. As lojas, cuidadosamente, são organizadas por mãos ágeis que dobram, etiquetam, embrulham e reorganizam incessantemente. O aroma da praça de alimentação, sempre convidativo, esconde a exaustão de quem passa horas dentro da cozinha quente apenas com panelas e bandejas como companhia.

 

Na escala 6x1, os dias se repetem em um ciclo quase mecânico. Há o som incessante do scanner de códigos de barras, das máquinas de cartão, das sacolas e das vozes que repetem frases educadas: "Posso ajudar?" ou "Agradecemos a preferência". Mas o que não se ouve é o cansaço que se aloja nas pernas de quem fica horas em pé, ou nos ombros que carregam caixas pesadas e nos sorrisos que, apesar de genuínos, escondem histórias de luta enfrentadas.

 

O relógio marca o início e o fim de jornadas longas, horas que frequentemente roubam aniversários, domingos ensolarados e noites de descanso. Enquanto os clientes vêm e vão, os trabalhadores permanecem, como engrenagens invisíveis de uma máquina. Raramente são notados, mas estão presentes por toda parte: na organização da vitrine perfeita, no café quentinho servido com pressa, na limpeza discreta de uma mesa entre refeições.

 

Quando o shopping finalmente silencia e as portas se fecham, o brilho das vitrines permanece, mas o movimento desacelera. É o momento em que, longe do olhar dos consumidores, o ambiente revela sua verdadeira face de um espaço onde a correria não é de compras, e sim também de sobrevivência.

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