top of page

Uma tradição que encanta gerações

  • lauras05
  • 19 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

A tradição familiar e as experiências fazem da Feira Central de Campo Grande um símbolo cultural e gastronômico


Texto: Emelyn Gomes, Luana Passini e Luiza Ferraz

Fotos: Luana Passini



Você pode ir com a família ou amigos e ao caminhar entre as barracas, descobrir histórias diferentes de cada feirante, sentir o aroma das comidas típicas e até se encantar com artesanatos, como panos de prato com desenhos de capivaras. Logo no início, é possível ver uma grande escultura de um prato de sobá que dá as boas-vindas, lembrando a todos da tradição dessa comida na cultura local.


Nesse ambiente vibrante, você encontra um pedacinho da cultura campo-grandense, desde os sabores regionais até os produtos feitos com carinho por quem conhece a cidade de verdade. Esse lugar é a Feira Central, um espaço cheio de vida, onde se pode vivenciar a verdadeira essência de Campo Grande e levar para casa mais do que produtos, mas também histórias e memórias especiais. A feira conta com duas entradas: uma delas, marcada por cores vibrantes em amarelo, vermelho e azul, lembra um portal torii. Na cultura japonesa, o torii é um portal encontrado na entrada de santuários xintoístas e templos budistas, marcando a fronteira entre o mundo material e o espiritual. Na outra entrada, podemos apreciar uma arte gigantesca de um sobá, um dos pratos típicos da feira. Mas vamos começar do início, quando a Feira Central ainda não estava localizada onde ela se encontra hoje.


A origem da Feirona


A Feira Central de Campo Grande, conhecida também como "Feirona", fundada em 1925, passou por diversas localizações até ser transferida para a Esplanada da Ferrovia em 2006, tornando-se um ponto turístico de destaque e um espaço de valorização cultural. A realocação trouxe novos aspectos de territorialidade, ampliando o espaço e fortalecendo o comércio local, com produtos hortifrutigranjeiros, artesanato e a gastronomia regional, que inclui o espetinho com mandioca e o sobá — prato introduzido por descendentes de Okinawa, localizada no Japão. A expansão de grandes empreendimentos vem alterando profundamente o território e impactando a identidade cultural das comunidades locais, como ocorre na Feira Central de Campo Grande (MS). Em nome do desenvolvimento econômico e da globalização, antigos espaços são desfeitos e novas áreas são criadas. Em Campo Grande, o crescimento econômico impulsiona essas transformações e resulta na inserção inevitável de grandes empreendimentos, tais como a famosa Feira Central.


Esse novo local padronizado, que mantém o funcionamento às quartas, quintas e sextas-feiras, a partir das 16h e aos sábados e domingos a partir das 12h, reflete o esforço de regulamentação e valorização das atividades da Feira, tornando-a um símbolo de identidade e pertencimento para a comunidade de Campo Grande.

A essência cultural e gastronômica em cada barraca


Os principais destaques culinários são o tradicional espetinho com mandioca amarela, o sobá, o yakisoba, pastel e o caldo de cana. Além de restaurantes, encontram-se 100 barracas com variedade de opções: verduras, doces, salgados, sucos, sorvetes, temperos, erva para tereré (bebida típica) e cachaça, entre outros. No setor do varejo, são 200 barracas que comercializam artesanato, roupas, calçados, brinquedos, acessórios para eletrônicos e uma ampla gama de artigos religiosos.

Cachaças com diferentes cores e sabores acompanhadas de doces típicos


André Ferreira Diniz, proprietário da barraca Cavalli Diniz, trabalha há 15 anos na Feira Central e comenta um pouco sobre a variedade de produtos vendidos em seu estabelecimento, principalmente, sua especialidade: a cachaça artesanal de Alambique. Ele também vende geleia de mocotó, queijadinha, cachorrada (ambrosia) e os diferentes tipos de ervas para tereré. Ele também fala sobre o principal produto de sua barraca: as cachaças licorosas, que têm diferentes cores e sabores, como canela, banana, pêssego e até coco.

Maria Inês Deonísio Nogueira, de 60 anos de idade, tem a sua loja de artesanatos há dois anos na feira e relata que começou a pintar aos oito anos de idade e foi aperfeiçoando seus traços. Hoje, a sua renda principal é o artesanato. Ela conta que os produtos que mais vendem são os de capivara, ela acredita que a sua arte contribui para a cultura sul mato-grossense.

O artesanato representa as belezas do Mato Grosso do Sul


Carmen Aparecida de Almeida, de 74 anos, trabalha no ramo do artesanato desde os 9 anos de idade, foi professora concursada por 30 anos e está na feira desde a nova realocação, há mais de 20 anos. Ela destaca o quanto ama trabalhar com artesanato. Trabalhar com pessoas não deixa que ela se deprima. Carmen viaja com seu trabalho pelo Brasil inteiro e sua última viagem foi para Recife, na maior feira de artesanato do Brasil, e entre altos e baixos, ressalta o quão ruim está o empreendimento local e que em outras regiões o comércio de artesanato vem sendo mais procurado. Na Feira Central ela nota uma desvalorização da cultura sul-mato-grossense pelos próprios moradores.

O artesanato para além das fronteiras sul-mato-grossenses

Comments


  • alt.text.label.Facebook
  • alt.text.label.Instagram

©2023 por Textão Jornalístico. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page